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Epiphanio Mello, Pseudônimo CAÇULA. Titular da cadeira n° 10 da Academia Brasileira de Poesia casa de Raul de Leoni patronimica de Dr.Arthur de Sá Earp Filho e Conselheiro Fiscal. Patrono da Academia de Poesia da escola municipal Vila Felipe cadeira n°4 membro do clube de poesia do Petropolitano F.C. Nascido em Itaperuna, radicalizado no Alto da Serra,Petrópolis,RJ, barbeiro, Professor aposentado,e nas horas vagas poeta. Casado com D.Tereza, Avô de Bianca,Priscila e Xandinho.

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[Sábado, Outubro 28, 2006]



ÊXTASE

No entrelaçar dos corpos.
Naquele quarto de motel,
estranho hiato da vida,
á cama se inquieta
com os nossos ruídos de sexo.
Sobre o lençol sem jaça;
você! Linda,leve e solta,
num ritmo adequado,
a me saciar a sede
de uma fonte divinal.
Entre sândalos e calafrios,
espargem: gotas,gotas e gotas...
recendendo a divinos
e flúvios corporais.
No leito, deposito em ti,
o tesouro da minha
essência genética:
Único legado
dos meus antepassados;
que venero e guardo
no cofre patrimonial.
Você!Nua e excitada,
deixando escorrer o sexo,
num eterno frenesi,
naquele fogo de amor,
a consumi-la no leito;
e sem nada,que á cubra a graça.
E ,eu!Num êxtase:admirativo,
genuflexo,boquiaberto

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por Caçula * 8:55 AM
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HAIKAIS.


Do carpinteiro
O bom carpinteiro
Cerrou a porta sobre si
Saindo ao terreiro.


Da Chuva
Na chuva caída
O canteiro agradece
O ciclo da vida


Do Aborto
Aquele que tem
Afeto amará o feto
Em preces... Amém!


Do Vinho
De que vinha, vinha
O vinho? Vinha, da vinha
Da minha vizinha


Da Marafona
Velha marafona,
Edita trova maldita,
Com versos cafona.


Do Preto Rafeiro
Meu preto rafeiro,
Treinado prá guardar gado,
é um perdigueiro.


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por Caçula * 8:54 AM
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VIOLA.

Ao por-do-sol na lua cheia
na viola retira um som.
em dó, ré,mi ele vagueia
sem nunca fugir do tom.

Sem nunca fugir do tom
dedilha a viola sem dó.
mostrando um Armagedom
que tritura como mó.

Que tritura como mó
e prendem como argolas.
desfazendo todos nós
vai dedilhando a viola.

Vai dedilhando a viola
num sustenido de dó,
à sombra da graviola,
de um violeiro muito só.

SEM NUNCA FUGIR DO TOM
QUE TRITURA COMO MÓ,
VAI DEDILHANDO A VIOLA
DE UM VIOLEIRO MUITO SÓ.

Caçula.
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por Caçula * 8:54 AM
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O CABUQUEIRO

Mesmo sofrendo flagelos,
vai o nobre tarefeiro
esculpindo paralelos,
com seu pixote certeiro.

Com seu pixote certeiro
tira fogo no atrito.
E, no ponteio do ponteiro
sangra as veias do granito.

Sangra as veias do granito
com o força do ferreiro,
explodindo-se num grito
do bigode cabuqueiro.

Do bigode cabuqueiro
ficaram: o dito mito
e a linhagem do guerreiro
eternizando o infinito.

COM SEU PIXOTE CERTEIRO
SANGRA AS VEIAS DO GRANITO,
DO BIGODE CABUQUEIRO
ETERNIZANDO O INFINITO.

Homenagem póstuma ao meu sogro Antonio Vieira dos Santos
(o bigode).



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por Caçula * 8:54 AM
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VOU INUNDAR O MUNDO.

A força do amor
é que organiza o caos:
vibra no fogo e no éter.
E faz borbulhar às águas.
Todo caus primitivo
é um escuro luminoso;
as sementes só florescem
nos canteiros do futuro.
Os trinados sincopados,
dos passaros cantantes
da orquestra do amanhecer,
saltitam na relva molhada.
Com o corpo ébrio de amor,
ouço sons de mil clarins.
... Como a chama
que dorme na lenha,
o amor que nutro por ti,
eu guardei e resguardo
no cofre dos sentimentos,
pronto para incandecer.
Assim como rolam as esferas,
rolarão nossos destinos.
E, quando verter esse amor
eu vou inundar o mundo.

Caçula.
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por Caçula * 8:53 AM
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MINHA VISÃO CÓSMICA

Na minha cosmovisão,
eu vi o homem com ogivas.
mas, entre as evoluções ,
eu vi Deus criando Diva.
Vi estrelas a reluzir !
Vi drogas a seduzir !
Mas, vi Deus criando Siva
para seus filhos conduzir.

Na minha premunição.
Antevejo dias de luz.
Não vejo perseguições.
E, nem Avatar em cruz.
Vejo crianças sorrindo
entre flores se abrindo ,
degustando o que produzem.
E, ainda destribuindo .

Vejo armas ensarilhadas,
Homens colhendo flores.
Querubins em gargalhadas,
batucando seus tambores.
Entre flores se abrindo,
Hão crianças destribuindo
os frutos das árvores
diante de um Jesus sorrindo.

CAÇULA
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por Caçula * 8:53 AM
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QUEM SOU EU?

Eu sou a força vital que habita o interior da matéria.
Eu sou esquecido, que lembrou que existe!
Sou um barco, a navegar em aguas bravias.
Sou o impensado que nasceu do pensador.
Eu sou a borboleta que inflou as assas, e saiu num vou rasante.

Eu sou aquilo que o Criador É!

Sou o mar sem praia e sem barco.
Eu sou o raio que corisca no céu antecedendo o trovão.
Sou a criança que anceia a razão de viver
sugando do seio materno a vida em forma de amor.
Eu sou mais, bem mais, muito mais que:
um pouco de carne, um sopro de vida
e uma faculdade de pensamento.

Eu sou aquilo que o Criador É!

Sou o vazio intumecido de amor.
Eu sou o amor que intumece o vazio!
Sou a semente inflada de vida, em
busca de terra fértil.
Eu sou a terra que num eterno
orgasmo cósmico e penha de vida, deixo-me
fecundar pela semente.
Sou o lume que se impõe diante das trevas.
Eu sou as trevas que se dissipa diante da luz.
Sou a lua, que atraz do monte desponta,
dando adeus ao sol no arrebol.


Eu sou luz, eu sou paz, eu sou vida,
eu sou a ância de viver!

QUEM SOU ''EU'' !


Caçula.
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por Caçula * 8:53 AM
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DEIXAR-TE-EI, UMA SÓ FLOR.

Quente ainda dos seus abraços,
após a longa noitada.
nos brancos lençois ficaram:
suores de cio escorrendo,
os nossos corpos inertes
e as secreções do amor.
No delírio da luxuria,
tal qual rosa aberta e sensual,
dos seus eflúvios sagrados,
exalavam: aroma de alfazema
e de pele-jovem de femea;
a mimosear minh'alma.
Parto! e, diante da partida,
deixar-te-ei uma só flor.
Assim como se deixa
sobre as frias lápides.
Do profano e do sagrado,
levarei comigo o odor,
na hora da despedida.
E, nas asas da arribação.
Assenar-te-ei com o lenço
molhado, da minha doída
e longa saudade.

Caçula

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por Caçula * 8:53 AM
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CINZAS DA MINHA TERNURA.

A meia luz de nossa alcova,
na tarde que chuviscava,
ao ver tua nudez como
botões de rosa orvalhados;
senti lágrimas no rosto
a rolarem como perolas.
Quando seus lábios se abrem
num largo sorriso cálido.
A luzes dos olhos se adoçam
ao dardejarem olhadelas.
Lá nos beirais do telhado,
chilreiam as andorinhas
com o triste brim-brom dos sinos.
E, no bojo do violão,
vão a gemer os bordões;
dos beijos repinicados
que estalam na minha face.
Cinzas da minha ternura
foi tudo que me restou
quando queimastes as cartas.

Caçula.

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por Caçula * 8:51 AM
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NEGRO JONGUEIRO.

Através da tarde cálida,
ao pé da velha mangueira:
débil arrulhar das rolas
e um realejo punham
melancolia na tarde.
Ao gemido da guitarra,
repinica a viola
numa viela sem luz.
Com seus lábios escarlates.
Um negro que veio de angola,
com seu chapéu desabado
saí a dançar um jongado
ao ritmo da pianola.
Com a chama a bruxulear
na parede, a candeia
alumia a senzala.

Caçula

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por Caçula * 8:51 AM
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SANGRANDO.

Sob a palmilha dos pés
vão rolando os cascalhos
que vai deixando em frangalhos
o ânimo do caminhante.
Que lá pelo entardecer
lastima sem entender
o porquê desse agravante.


Angustiado pergunta:
quem semeou os espinhos
pelas margens do caminho
no qual terei que passar?
o que levou esse insensato
a comenter tão feio ato
só para me ver sangrar?

Quem será esse insensato?

Caçula

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por Caçula * 8:51 AM
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QUERO FICAR SÓ

Hoje eu quero ficar só
com o mais profundo do ''Eu''.
Num momento todo meu,
quero assuntar o coração
e ver a vida passar.
Eu quero ficar sozinho,
a cismar no meu cantinho
e curtir a solidão.


Quero sentir novos cheiros
provindo do jasmineiro.
E, como bom escoteiro,
eu vou querer escutar:
o cantar do passarinho,
que na beira do caminho,
gorjeia, a vida no ninho,
que está prestes a voar.


Hoje eu quero ficar só
na companhia das estrelas:
namora-las, defende-las.
E, dividi-las em cores.
Hoje eu quero ficar só
com o condão de trasformar
holocausto em altar.
E desencontros em amores.

Hoje eu quero ficar só!

Caçula

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por Caçula * 8:50 AM
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DESDOBRAMENTO

Ao longo do tempo, no túnel vazio,
do corpo tridimensional me afastei.
Como um bálsamo, senti que ali jaziam
as emoções que comigo levei.


Revesti-me de luz por onde andei,
buscando valores existenciais.
No dorso de uma estrela eu cavalguei.
Vestido de luz dos meus ancestrais.


Eu buscava uma canalização
com as frenqüências da energia prana,
ampliando a ingestão da alimentação


O Túnel do tempo levou-me ao êxtase.
Eu vislumbrei o clarão de uma flama.
Vestido de luz. Dali me afastei.

Caçula

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por Caçula * 8:50 AM
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DESCENDO DE UM CAIAPÓ

Largas são as estradas que eu percorro,
levando as bandeiras enfeitadas
de flores, sou do signo de touro,
filha do trovão e amante das fadas.


Minhas raizes embrenham-se nas matas,
sou BISNETA/SOBRINHA de um caiapó.
sou pelo certo, não aceito mamatas.
Fui canoeira no rio iapó.


Na tribo, sou guerreira e primata.
sou da linhagem do sublime Pã.
Sou pelo certo, não conto bravatas.


Junto à tribo nunca estou só.
Eu sou JUREMA ! Filha de Tupã.
Sou BISNETA/SOBRINHA de um Caiapó.

Caçula.

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por Caçula * 8:50 AM
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UM NOVO ASSOPRO

Fenecendo um corpo, uma alma evola,
no seu mundo etéreo, envolta em luz.
num recôndito, tange o som da viola.
E, silente, um anjo em guarda seduz.


Diluindo no todo as suas vibrações,
a matéria do cosmo, o micro fecunda.
E vibrante, o micro adere e inunda
o seu espaço com fé, vibrações e ações.


Destronando as trevas, adentra na luz.
Encontrando no templo o meigo Jesus,
já descido da cruz, com um novo escopo.


Com um novo escopo e nova ciência
da florada humana, há de vir a essência
recriando Adão, com um novo assopro.

Caçula

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por Caçula * 8:48 AM
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REGRESSO

O recôndito Deus, que se esconde no ''EU''.
O que fremi, o grande estrondo do vento.
É o mesmo que habita o peito do ateu,
ondeando, o grande alento do tempo.


No ribombo do meu coração, um Deus pulsa,
na essência das forças ocultas das coisas;
que irão repousar, bem além das frias lousas.
E, minha alma será do meu corpo expulsa.


O sermão da montanha, aquele nascido
da bondade do Cristo, é doce e eterno.
É sublime voltar com o Cristo-interno.


Se o grande segredo, está escondido
no brilhar das estrelas, eu volto pro todo...
E, no bojo da luz, vou saindo do lodo.


Caçula

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por Caçula * 8:48 AM
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O Menestrel.

A casinha de sapé,
Trepada sobre a colina:
com chão de terra batida,
paredes de pau-a-pique.
E, um jardim descuidado;
no qual labuta
um velho angolano...
de passo miúdo e
chapéu dobrado.
Que na plangência de viola,
com seu queixume dorido,
solta a sua voz dolente
na inspiração que evola.
No bojo da tarde cálida;
numa explosão de magias,
sob a luz do sol poente:
vão bolinhas de sabão,
como perolas ao vento.
Numa profusão de cores,
pondo poesia nas coisas,
bandos de saíras evolam.
E, as cigarrras ciciam
num pessegueiro desfolhado.


Caçula

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por Caçula * 8:47 AM
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