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[Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008] Na encosta de um belvedere, Numa manhã de devaneos; Quando a primavera pincelou Ás árvores de verde; Amarelo e rosa: Ás luzes do alvorecer, Vinham grimpando á serra; Numa cândida fluorescência. Moçoilas refesteladas, Na borda da piscina, Com seus maiôs de duas peças, Chutavam as águas com seus pés Delgados e coruscantes. Perolas de água escorriam Nos corpos acastanhados. - O seu mover langoroso, Numa artimanha de ninfa; Com à sua voz de contralto A me oferecer; Perolas do cancioneiro. E os violões desmembravam: dó – ré – mi – fa – sol – la – si. E, eu com o coração apaziguado, Bebia o seu ofertório. Comments: Por Caçula * 2:08 PM
Noite virgem de estrelas. O vento chicoteava A face do espaço. - Era o tal de sudoeste O lampião na parede enchotava as sombras. Sobre o caixão, voejou Um inquisitiva mariposa, Em busca das águas murmurantes; - São águas doentias, "Correntezas da vazante." Que atendem o choro do mar. - O quintal era pequeno. Bananeiras retorcidas, Com as folhas desdentadas, - Num cisca, cisca no chão. Duas amendoeiras, Com os ventres descarnados: Se contorciam doídas. - Chapéu de palha desfiado, Acocorado num canto, Num cochilo entontecido. - Na sonolência da velhice, Ardia-lhe o dorso. - Um patuá ensebado Ornava-lhe o peito. - À viúves batera-lhe à porta. Uma talagada de aguardente, Bebeu de um único sorvo. E, choramingou! choraminga Também as carpideiras. E o velório se arrasta Vai até de manhãzinha: A espera da estrela-d'alva. A manhã se anunciara: sem resas... sem velas...sem cruz. É triste, muito triste; Morrer sem flores! Comments: Por Caçula * 1:45 PM |